O Desabafo dos Filhos da Rua
December 18, 2008 2:05 pm
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"O Desabafo dos Filhos da Rua" é um dos primeiros CONTOS que eu fiz {1988}. É incrível como o tempo passa, e o Tema ainda é presente em nossa sociedade.
Vivemos em uma selva de pedra…
Onde dizem que somos os próprios animais.
Somos vítimas de caçadores implacáveis,
que tentam nos domar
de maneira errada,
achando que estão corretos…
Só que mais tarde somos vítimas
dos nossos próprios atos,
os nossos atos subalternos.
Convivemos com a violência
e com muita imprudência…
Muitas vezes usamos os nossos corpos
com indecência…
Mas acreditem,
é para nossa sobrevivência…
Nossos corpos
já estão calejados.
Mendigos?
Aleijados?
Que diferença faz?
Nas ruas somos todos iguais.
Nas ruas somos nossos próprios
heróis.
Pois a lei é:
nós pro nós.
Nas ruas que construímos
nosso próprio mundo…
E dizem, no entanto,
a rua é lugar de vagabundos.
Somos moradores das periferias,
onde passamos com muita ousadia.
Somos moradores das ruas,
das cidades, das capitais.
Por que não dizer,
que somos frutos dos erros de nossos pais.
Quem são nossos pais?
São desconhecidos?
Para nossos pais já somos
esquecidos.
Vagamos dia e noite,
pelos calçadões das avenidas…
Carregamos no peito
a dor de uma grande ferida.
Dormimos ao relento…
Onde muitos passam, olham e dizem
que coisa nojenta!
Somos os filhos da dor,
somos os filhos de uma flor,
somos os filhos de uma agonia,
somos os filhos de um dia.
Somos os filhos do dia,
somos os filhos da noite,
somos os filhos vadios.
Com sonhos?
Fantasias?
Não,
não dá para sobreviver.
Nas ruas estamos dispostos
a lutar até morrer…
Em busca de quê?
Ora,
em busca do que comer.
Não comemos e nem sobrevivemos
de sonhos e fantasia.
Em nosso mundo
existem tão poucas alegrias…
Às vezes
somos fruto de um amor
inocente,
ou talvez, de uma imprudência
de nossos pais.
Nossos erros são tantos,
muitas vezes brutais…
Mas,
esses erros
são só nossos?
Ou também de nossos pais?
Com tantos conflitos,
em nossas vidas.
É por isso
que nos tornamos brutais
mas acreditem… Não somos animais.
Autora: Betânia Lisboa
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