Uma Sereia Na Areia
January 22, 2009 11:30 am
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Quando escrevi esse poema tive certo receio em publicá-lo, pois vivemos num país cheio de hipocrisia, onde falar de um desejo ou uma fantasia é muito mais ofensivo do que uma cena de sexo em uma novela ou filme.
Mas, como as pessoas que comentam em meu blog são cultas e inteligentes, ligadas de alguma forma à arte…. Então, dedico a vocês "Poetas, Escritores, Fotógrafos e Artistas em Geral".
Dedico principalmente ao meu marido, que me incentiva o tempo todo.
Uma Sereia Na Areia:
Na areia
a lua nua
banha minha sereia.
Teus cabelos longos
tal qual milharal
com madeixas imitando
espigas marrom-douradas.
Pouso meus lábios
em tua face enluarada.
De tuas vertentes
emana um suculento vício ofegante
enquanto tu serpenteias
na areia
eu contorço o dorso
em tê-la sereia.
Meus desejos
percorrem os caminhos líquidos
e sólidos de tua floresta dourada.
Sugo teus seios quentes
frondosos
enluarados
com meus lábios ardentes.
E a luz da lua abre levemente
teus segredos.
E da cuia rósea de tuas entranhas
desabrocham orquídeas orvalhadas.
E do orvalho expeles
um perfume ácido de fêmea
no cio.
E teu corpo esguio
arde entre pêlos e escamas dando forma ao arrepio.
E na cuia morna
de teu ventre imaginário
bebi o suco sacro de açaí.
Suguei o pólen
a pele branca
da seda rósea
e em silêncio
desfaz-te e sangra-te em prazer.
Autora: Betânia Lisboa
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