Uma Sereia Na Areia

January 22, 2009 11:30 am | Comente aqui 46 Comentários

Quando escrevi esse poema tive certo receio em publicá-lo, pois vivemos num país cheio de hipocrisia, onde falar de um desejo ou uma fantasia é muito mais ofensivo do que uma cena de sexo em uma novela ou filme.
Mas, como as pessoas que comentam em meu blog são cultas e inteligentes, ligadas de alguma forma à arte…. Então, dedico a vocês "Poetas, Escritores, Fotógrafos e Artistas em Geral".
Dedico principalmente ao meu marido, que me incentiva o tempo todo.

Uma Sereia Na Areia:

Na areia
a lua nua
banha minha sereia.

Teus cabelos longos
tal qual milharal
com madeixas imitando
espigas marrom-douradas.

Pouso meus lábios
em tua face enluarada.

De tuas vertentes
emana um suculento vício ofegante
enquanto tu serpenteias
na areia
eu contorço o dorso
em tê-la sereia.

Meus desejos
percorrem os caminhos líquidos
e sólidos de tua floresta dourada.

Sugo teus seios quentes
frondosos
enluarados
com meus lábios ardentes.

E a luz da lua abre levemente
teus segredos.
E da cuia rósea de tuas entranhas
desabrocham orquídeas orvalhadas.

E do orvalho expeles
um perfume ácido de fêmea
no cio.

E teu corpo esguio
arde entre pêlos e escamas dando forma ao arrepio.

E na cuia morna
de teu ventre imaginário
bebi o suco sacro de açaí.

Suguei o pólen
a pele branca
da seda rósea
e em silêncio
desfaz-te e sangra-te em prazer.

Autora: Betânia Lisboa



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