Dedico à Chico Buarque de Holanda
São duas lâminas verdes
fortes
firmes e afiadas
são duas lâminas verdes
que em sonho me foram dadas.
Quando mirava
rasgava a blusa
arrancava a saia e
me deixava confusa
me deixando nua
crua
completamente sua.
Afagando-me
tu esfregavas
as duas lâminas verdes e afiadas
e eu quase calada suspirava
gemia
ria e brincava ao mesmo tempo
dava e sujava a cama de poesia.
Persisto em ter-te
em tocar-te
em admirar-te
em terras úmidas e áridas
e quando surgir ventanias e tempestades
tu porém
refugias
o teu olhar em minha alma apertada.
E no momento de fúria tu escavas horizontes
em meu peito com tua ausência
ouço tua música
meu soluço e teu silêncio.
Penso na frase de Pablo Neruda
"…Para meu coração teu peito basta…"
E range em meu peito uma ânsia sem limites
que te absolve e me condena
rasgo a alma
fico louca
mostro meu corpo de fêmea.
Penso na fúria do vento
penso no aconchego de teus olhos
que tão verdes brilham e iluminam
e transportam-me para as
fantasias de menina.
Autora: Betânia Lisboa
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