Escrito em ‘ Contos ’

Alma Rasgada Rosto Enrugado.

December 17, 2008 9:15 pm | 1 Comentário

Poderia ser uma manhã como outra qualquer, ou talvez uma manhã melhor que todas as outras que tive nos últimos 32 anos.
Mas o estalar hostil de minha pele rompeu um silêncio de forma tão dolorosa para mim. Ouvi uma, duas, três vezes…
E mais que depressa corri até o espelho, e com a expressão de curiosidade acariciei com as pontas dos dedos minha pele áspera, então contrai meu corpo, surpresa fiquei ao descobrir de onde vinha aquele barulho irritante, ele fazia uma sinfonia com o soprar da brisa fria que adentrava a janela do meu quarto.
HHummm! É a chegada das rugas trincando minha pele branca…
Estou descobrindo que as fantasias; a pureza e a inocência de criança, já não reinam mais em meu coração…
A ingenuidade há tempos abandonou-me pelas estradas da vida, e este corpo, esta alma, solitária e despedaçada, corroída pela ferrugem da desilusão…
Hoje? Apenas lágrimas sobrepõem minha fúnebre e envelhecida face. E o que me resta agora? Já que não posso ouvir uma voz amiga, então respondo a mim mesma:
__ Eu vou chorar ao contemplar uma vida que nunca existiu de fato.
Quando pensei que todas as dores do mundo tinham cessado em minha alma, logo descubro que ainda há sangue para jorrar nesse cálice que já transborda dentro do meu coração. Pois não é muito difícil descobrir em quais dias da minha vida o espinho da desilusão cravou profundamente em minha alma, buscando esconderijo neste corpo feito de carne e pecado…
Eu queria ter o dom da sabedoria, para que eu pudesse adivinhar em qual momento da nossa existência como filha de Deus que somos, iremos saborear o Favo de Mel de codinome: FELICIDADE.
Pois até o momento apenas o Fel escorre entre meus lábios trêmulos e úmidos pelo oceano de lágrimas…
Elas vêm em minha face trincada, como verdadeiras ondas salgadas dando um gosto áspero em minha saliva e vida…

Autoria: Betânia Lisboa

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